sábado, 25 de julho de 2009

Um grande garoto


“Todo homem é uma ilha,
Se não sais de ti, não chegas a saber...”

José Saramago, em O conto da ilha desconhecida

Assisti esse filme devido a uma iniciativa da indústria farmacêutica Libbs, que resolveu fazer uma coletânea de filmes denominado “Cinema e Psiquiatria” e distribuiu para médicos. Sendo filha de dois, explicado meu acesso.

Mais um filme hollywoodiano que gostei. Uma adaptação agridoce do livro de Nick Hornby. É a história de um homem moleque de 38 anos, interpretado pelo Hugh Grant (Will) e um garoto de 12 anos Nicholas Hoult (Marcus). Os dois se identificam por se sentirem isolados. Will por ser um homem superficial e solitário, que vive de herança e nada faz, ele tem consciência do próprio isolamento, que considera inerente à modernidade, e não um sintoma de solidão. Já o garoto Marcus percebe sua diferença em relação à maioria das crianças da escola e não reage ao bullying diário, além de aturar alterações de humor da mãe ou sua passagem no hospital após tentativa de suicídio.

A mãe Toni Collete (Fiona) expressa meu mal estar com todos os elementos mais prosaicos da cultura pop, que habitualmente questionariam um diagnóstico de depressão: é uma naturalista radical, ativista feminista convicta e veste-se como uma hippie que não viu o tempo passar. Quanto a Fiona, fica nítido que o sofrimento gerado pelo quadro depressivo, a constatação dos limites da psicopatologia é mostrada em toda a sua grandeza, não só do ponto de vista do paciente, mas pelas pessoas que estão ao seu redor.

A parte bonita do filme é o enlace entre os personagens e sua conclusão, o cenário de um embate inevitável e a resolução por meio de uma nova convivência baseada no reconhecimento dos potencias e dos limites do próximo. Na vontade de estarem juntos numa busca (humana e eterna) de felicidade. Felicidade aqui entendida como possibilidade de adaptação às circunstâncias da existência.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O lutador


Confesso que já queria ter assistido a esse filme há alguns meses, mas só agora tive a oportunidade, sinceramente, podia ter ficado sem assistir. Absolutamente todas as pessoas que assistiram que eu conheço me disseram “você tem que ver esse filme, é maravilhoso”. Depois de assisti-lo tomei consciência que os seres que me recomendaram eram todos homens, daí ficou mais claro o encanto que este filme lhes causou.

Perdoem-me pela crítica extremamente ácida, talvez não tenha sido um bom momento para ver essa “obra”. Eu queria verdadeiramente ver alguma beleza, mas não vi nada. Um cara lutador, desacreditado, falido, num momento de plena decadência, insiste na carreira que um dia lhe trouxe glória (até aí tudo bem). Sofre um enfarte, tenta então 20 anos depois lutar com seu rival histórico, da luta que o consagrou. Literalmente se matando, vai à luta e vence, porque o outro o deixa vencer. Superação?

Soma-se o fato de o diretor, o mesmo de (Réquiem para um Sonho) Darren Aronofsky, tenta passar um ar de “coitadinho” para o protagonista interpretado por Mickey Rourke. Cara este hipertrofiado por remédios e exercícios excessivos, que abandou a própria filha que provavelmente teve com alguma fã que pegou na esquina quando ainda vivia seu momento de glória, antes de fazer bico em um supermercado atendendo clientes ou carregando caixas.

Randy (o carneiro) se vê completamente sozinho, aos seus 50 anos? Se for menos, ele realmente estava acabado. Ao invés de pagar o aluguel de um hotel fracassado, passa seus dias descolorindo o cabelo, fazendo bronzeamento artificial e freqüentando puteiros, além de tomar cerveja no café da manhã. É para ter pena de uma pessoa assim?

Para mim o que fica bem claro é que a solidão é inevitável para os viciados em trabalho, quem nunca deu valor aos laços interpessoais. PESSOAS PRECISAM DE PESSOAS, não há trabalho, estudo, dinheiro que cubra esse vazio.

Aos homens, que provavelmente acharam lindo o filme por gostarem da idéia de ter uma vida patética, solitária, doentia, uma dica: AMADUREÇAM !

Seres que podem ser chamados de lutadores, não são os que ganham na vida, e sim os que não desistem e não só do seu trabalho, do seu dom, mas do próximo, da família. O mundo não te aceita? Reveja seus conceitos e pense o porquê.