quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A fonte das mulheres


Este é o mais novo filme do romeno Radu Mihaileanu, entre seus trabalhos mais conhecidos estão “O trem da vida” e “O concerto”. Nesta empreitada, o diretor conta uma fábula sobre a situação da mulher inserida no Islã.

O vilarejo não fica exatamente em nenhum lugar real, até para denotar o tom mágico desta obra. A seca assola, não há eletricidade, água encanada e todos seguem rigidamente o Alcorão, ou pelo menos a interpretação dele que mais lhes convém, a misógina.

Os homens que são os que “protegem” as mulheres em um tempo onde não há nada para ser protegido, enquanto estas têm o trabalho árduo de buscar água em uma colina distante e rochosa, percurso que fez várias delas perderem em seus ventres novos rebentos.

Leila então, revolucionária e uma das poucas mulheres letradas, dá início ao movimento “greve de amor”, ou melhor, sexo, porque a grande parte dos casamentos ali mostrados não foi concebida por amor e sim interesses familiares.

Não entrarei em detalhes da história do filme, digo que a fotografia é linda, o colorido, a forma como é mostrado um outro mundo, tão perto e tão distante de nós.

Acredito que foi providencial ter assistido a este filme no dia de Natal, afinal, assim como o Alcorão, a Bíblia é um livro de filosofia e a entendemos da forma que quisermos, que nos for mais favorável.

Não suporto a misoginia, não suporto o atraso do Islamismo, mesmo assim, ainda que mágica, é uma bonita história de como podemos tentar mudar o mundo, ou pelo menos sonharmos com uma mudança.

sábado, 15 de dezembro de 2012

ACORDES !!!


Peça dirigida e encenada por José Celso Martinez, levemente baseada em um texto de Bertold Bretch, escrito em 1929. Este texto foi uma reação do autor, que escrevera “Vôo Sobre o Oceano”, cerca de um ano antes, em homenagem ao piloto Charles Linderbergh, o primeiro a cruzar o Atlântico sozinho. Quando o aviador filia-se ao partido nazista, Brecht escreve “Acordes”, em que um avião cai e quatro sobreviventes buscam a ajuda do Coro da Multidão, papel desempenhado pelo público, que decide ou não salvar os que restam do vôo.

Se fosse possível resumir minha experiência ao assistir a essa peça, seria com uma citação (sei que bem batida, mas neste caso se encaixa feito uma luva) de Georges Clemenceau: "Um homem que não seja um socialista aos 20 anos não tem coração. Um homem que ainda seja um socialista aos 40 não tem cabeça." Apesar das minhas opiniões ácidas abaixo, sugiro que assistam sim, pois existem situações que devemos passar na vida, mesmo que forem para ter base crítica.

Apesar de pagar taxa para ter garantia do ingresso, no Teatro Oficina a fila é a mesma de quem compra antecipadamente ou de quem compra na hora com um vinho Chapinha na mão. A ignorante aqui ao pensar em teatro, se vestiu apropriadamente, com um salto 10 para pisar no lixão que se formou da obra do teatro, em meio a outros expectadores vindos aparentemente da cracolânida, os quais fumavam incessantes baseados ao meu lado durante a peça.

Zé Celso Martinez indica participação da platéia. E assim começa o espetáculo. O início da aviação, e uma explosão que deixa todos com tosse. Santos Dumond se enforca ao perceber como sua invenção foi perversamente utilizada para jogar bombas em guerras mundiais.

E por aí vai, a intervenção do público é com a decisão de dizer Sim ou Não à continuidade da vida dos sobreviventes do vôo sobre o oceano de Charles Linderbergh.

São tantas referências jogadas, tanta crítica a sociedade atual que acho que vou acabar me perdendo nessa resenha ácida. Mas, me perder aqui é o mínimo frente a tanta desconexão com o mundo real e o imaginado por Zé Celso Martinez.

De início, há uma apologia às drogas, pessoalmente acredito na descriminalização para uso pessoal, porém se ainda é crime, respeitemos o próximo! Continuando o enredo, muita loucura, desconexão, incompreensão e nudez.

Vale ressaltar um momento em que o diretor pede para a platéia chamar os nomes dos mortos. A partir daí, chorei de tanto rir quando um dos maconheiros démodé gritou “Che Guevara”.

Outra passagem memorável é o boneco de Olinda sendo esquartejado à medida que pede ajuda aos seus “amigos”. Como economista, interpretei que tal passagem se deve à ajuda que os países em crise fazem ao FMI quando agonizam. Mas ao contrário de sentir pena, como a maioria dos expectadores, senti raiva. Um exemplo, a Grécia, onde estive há poucos meses.

Os gregos nada fazem o dia inteiro, param o comércio na hora do almoço para fazerem a famosa Ciesta e voltam à noite, quando voltam, afinal passaram a tarde dormindo cheios de Uzo. Dizem em alto e bom som que ao acordarem pensam em primeiro lugar como aproveitar a vida, e lá em sétimo lugar, em trabalhar. Ou seja, não são eles merecedores das intervenções do FMI? Com 20 anos eu diria que não, aos quase 30, eu digo que sim.

Acho que é válida e reflexão: você reclama do seu trabalho? Imagina se fosse um artista desta peça, nú, "germinando" a terra, ganhando quase nada, que futuro você teria ? Pois é, do nada o diretor diz "Toda violência vem da repressão sexual" e todos os atores ficam nús. Acho que a intenção é chocar, mas quem lá se choca com nudez em 2012 ?

Indico realmente a peça, formemos pessoas críticas, que concordem ou discordem da minha opinião, mas pensem, analisem. Como devemos agir frente a uma crise econômica mundial? Considerar-nos como coitados ou responsáveis pelos nossos atos?

Entre o amor e a paixão


Quando vi o trailer deste filme pensei que fosse algo leve, simples, descompromissado, para assistir em um sábado chuvoso. Não estava totalmente errada, mas dependendo do olhar do expectador, podem surgir interpretações bem mais densas ou então, como foi o meu caso, alguma identificação que torna o filme interessante.

Margot e Lou (vividos por Michelle Williams e Seth Rogen) são novos e casados há cinco anos. A relação de ambos é quase pueril, tendendo muito mais para um amor fraternal do que entre homem e mulher (muitas brincadeiras, até irritantes e quase ausência de sexo). Margot é uma escritora freelancer enquanto Lou escreve um livro sobre suas receitas de frango.

A partir daí já me chamou a atenção, por que só frango? Carne menos expressiva, que apesar dos temperos e diversidades de receita, continua sendo frango. Sempre que não conseguimos identificar o sabor de algo insosso pensamos “taste like chicken”. E essa é uma boa definição para a relação do jovem casal.

Margot então conhece Daniel (Luke Kirby), artista (desenhista) que estranhamente carrega as pessoas em um triciclo (não sei ao certo o nome deste meio de locomoção) para passear no lago. Daniel é intenso, artista, descreve com palavras o que gostaria de fazer Margot em um encontro nada adúltero, porém as palavras são magistrais.

O inevitável acontece e Margot sai de casa para morar com Daniel. Aí sim se inicia e continua (a princípio achei que não teria muito futuro) uma relação entre dois adultos heterossexuais, maduros. A nítida opção pela química não só intelectual mas também (e pelo visto principalmente) física.

Muito interessante é a passagem na qual Margot conversa com Daniel no avião de volta para casa, no início do filme. Ela alega que tem medo de conexões, uma metáfora para o medo de estar entre uma relação e outra, o que acaba ocorrendo, mas de certa forma, acaba dando certo como todo filme do circuito hollywoodiano.

Enfim, um bom filme, não ótimo, mas interessante de se ver, sem dar sono ou vontade de desligar.

sábado, 1 de dezembro de 2012

A humanização dos cachorros


Na sociedade atual, com toda impessoalidade, solidão e amores líquidos, é tão difícil se relacionar profundamente com outro ser humano que estamos cada vez mais humanizando nossos cachorros.

Confesso que no início da minha infância eu tinha pavor a cachorros. Um medo tremendo, os olhava com estranhamento, não entendia como alguém podia amar um ser que machucava, mordia, destruía pés de móveis quando filhotes.

Porém aos oito anos resolvi junto com minha irmã (que compartilhava esse pavor) acabar com o nosso medo e comprar um filhotinho. Enfrentando a opinião contrária da minha família matriarcal imposta pela minha avó e mãe, entramos com a Minie escondidos pelos fundos da casa, com a ajuda do meu “contraventor” pai.

Na primeira noite aquele pequeno Poodle caramelo uivava de medo. Fui acordada pelo meu pai para ficar com ela. Sentei numa cadeira confortável e a acariciei, após alguns minutos ela dormiu comigo ali, aconchegada no meu colo. Neste dia descobri o que é amor incondicional canino.

Incondicional pois como criança eu a sacaneava, gritava quando ela fazia algo errado, a trancava quando mais velha para não entrar em casa à noite. E não importava a traquinagem que eu fizesse ela estava sempre ali, nos procurando, querendo carinho e atenção.

Minha avó, descendente de alemães, rígida, metódica, extremamente exigente se irritou muito com a chegada da Minie. Mas a D. Eulita era a única que não trabalhava, ficava em casa o dia todo, vivia em função de tornar a vida das suas netas a melhor possível. Gastava toda sua aposentadoria e pensão para pagar nossas contas, nossos cursos de inglês, francês, piano e por aí vai.

O inesperado aconteceu e a Minie se tornou a melhor amiga da minha avó, a ponto de dizer às visitas que não gostavam de cachorros que a casa era da Minie, se não gostassem, que não entrassem. Toda guloseima fora do regime comprada para minha avó tinha que ser em dobro, pois a segunda era dada a Minie. Se eu tivesse uma câmera hoje queria poder tirar uma foto da minha dura avó segurando um Chicabom para a Minie lamber.

Meses após a morte da minha avó, aos treze anos, a Minie morreu. Pensei em nunca mais ter um cachorro novamente, mas logicamente mudei de opinião.

Hoje tenho a Rosinha, uma maltês de cinco meses, minha companheira para todos os momentos.Vou passar 24h fora de casa e liguei para um hotelzinho. Fiquei muito surpresa ao saber que para passar essas horas lá, ela teria que fazer uma adaptação, nos primeiros dias a deixaria para acostumar a ficar num local estranho, com a intenção que ela entendesse que não estava sendo abandonada. Achei hilário pois foi exatamente o que fizeram na escolinha da minha sobrinha de dois anos.

Lembrando do livro Amores Líquidos de Baumann escrevo este texto. Os laços humanos são tão frágeis, temos tanto medo do outro, temos tanto pavor de como podem nos ferir que chegamos ao ponto de não nos envolver, ter relações com tempo limitado, distanciamento. Hoje é difícil encontrar alguém que queira um relacionamento menos rápido do que a velocidade da luz.

Mas se essa fosse a natureza efetiva do ser humano, por que humanizamos os cachorros ? Porque hoje os tratamos como nossos filhos ?
Temos necessidades de amar, “é impossível ser feliz sozinho”, mas o medo nos paralisa. Amor dói, decepciona, incondicional entre humanos só o amor dos pais (quando falamos de pais normais) que felizmente é o meu caso.

O amor entre um ser humano e um cachorro é seguro, recebemos mesmo sem dar nada em troca e infelizmente me parece que é isso que tanto encanta nossa perversa sociedade.

De toda forma, sugiro, amem também outros seres humanos, ao menos tentem passar com
o outro mais do que uma noite. Abram seus corações, se não fôssemos como adultos capazes de superar frustrações, choraríamos feito recém nascidos quando sentimos fome.

Tenho fome de amor, tenho necessidade do outro e assumir isso me torna humana, mesmo “démodé” para nossa sociedade pós moderna.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Coleção Woody Allen – Manhattan

Filme de 1979, em preto e branco e com maravilhosa trilha sonora de Gershwin. Mais uma vez Woody Allen mostra relações interpessoais e sendo o terceiro filme do Box, me chamou a atenção como traição é sempre um tema recorrente.

Assim como nos dias de hoje o diretor vem falando de cidades como Paris ou Roma, este é sobre Nova Iorque. Já na década de 70 mostra a sociedade nova iorquina muito próxima das metrópoles de hoje. Laços de amizade muito mais fortes do que os familiares, descompromisso nas relações e até uma certa solidão nesse troca troca de parcerias.

Woody Allen é um escritor, que aos 42 anos desiste de seu programa de comédia na TV para escrever um livro. Tem uma namorada de 17 anos que não ama, um casal de amigos que os considera como irmãos e uma ex mulher lésbica interpretada pela Meryl Streep que escreve um livro abrindo para todos a relação dos dois.

Seu amigo tem um caso com a problemática Mary (Diane Keaton), que Woody Allen passa do amor ao ódio durante a trama. Eles terminam o caso e Mary passa a sair com Isaac (Allen), que termina seu relacionamento frágil com a adolescente.

Por fim, Mary volta para o amigo e Isaac ao se ver sozinho tenta reatar com a adolescente, mas sem sucesso, esta que é uma atriz, decide ir para Londres fazer um curso. Acredito que a passagem mais bonita é quando a adolescente consegue passar alguma “lição” para Isaac quando pede para que ele a espere por seis meses e passe a acreditar nas pessoas.

Filme leve, bonito, mas longe dos meus preferidos deste diretor.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Coleção Woody Allen: Setembro / Melinda e Melinda


Com tantos feriados e tempo livre resolvi comprar um Box com 20 DVDs do Woody Allen, são filmes em sua maioria da década de 70 e 80 que não havia visto, com poucas exceções.

Comecei pelo filme Setembro (1987), apesar de ter uma história densa, não é cansativo e muito menos pesado. Lida com o tema das relações humanas, familiares e amores não correspondidos, mas com diálogos irônicos, teias de paixões, decepções e manipulações.

Mia Farrow faz o papel de Lane, uma típica solitária que ao sofrer uma decepção emocional, além de passar por dificuldades na vida profissional, tenta o suicídio (isso não é mostrado). Após o incidente sai de NY e volta para casa onde viveu na infância em Vermont. Lá ela se recupera aos poucos, com a ajuda do amigo Howard, vizinho próximo.

Sua amiga Stephanie também a acompanha neste último fim de semana do mês de Agosto quando tudo parece acontecer. Durante os últimos três meses da sua estadia, Lane se envolve com um inquilino de um chalé próximo, um publicitário que resolve escrever um livro sobre a sobrevivência, Peter (Sam Watson). Ao mesmo tempo sua mãe e padrasto também aparecem sem avisar.

A melhor passagem é quando Peter ao falar do seu livro diz que frente aos acontecimentos da vida existem as pessoas que sobrevivem e outras que se aniquilam. Fica aí a dualidade entre Lane aniquilada com o dia a dia e uma antiga história que ocorreu aos 14 anos e sua mãe, que parece ser capaz de arquivar e esquecer os dias amargos da vida.

Howard ama Lane, que ama Sam, que ama Stephanie que não ama ninguém. E assim seguem as teias de relações fugazes e não correspondidas, que parecem brotar do ódio entre Lane e sua mãe, opostos formados após a morte do amante da mãe de Lane. Apesar desta história ser o centro do roteiro, o que está em volta me chamou mais a atenção. Como lidar com o hoje apesar do passado?


Depois vi o filme mais recente do Box, Melinda Melinda (2004), o qual mostra uma roda de amigos mostrando também a dualidade entre o trágico e o cômico. A mesma história é contada por um escritor de comédias e uma versão contada por um escritor dramático.

Melinda é uma jovem bonita e transtornada, se separa do seu marido médico por estar cansada da vida monótona e se apaixona por um fotógrafo que acaba a deixando. Na versão dramática ela tem dois filhos e mata o amante após a traição, mas é absolvida. Já na cômica, ela não tem filhos e aparentemente não mata ninguém (mas não fica claro), em ambas, ela tenta suicídio.

Na versão dramática, ela chega à casa de amigas de infância sem avisar, aos trapos, logo após ter saído do manicômio em função da tentativa de suicídio. Atrapalha o jantar da casa de sua amiga, se torna um fardo. Ao tentarem arranjar um pretendente para ela, um dentista bem sucedido, ela se apaixona pelo pianista, que ao fim a trai com a melhor amiga e novamente Melinda tenta suicídio.

Já na cômica, ela mora sozinha apesar de transtornada e um dia em que toma muitos calmantes, entra no meio do jantar dos vizinhos pedindo ajuda. As tramas se desenvolvem mas o marido da sua vizinha se apaixona por ela, e atrapalha toda a tentativa de lhe apresentarem também um dentista nesta versão. Por fim, ao andar pela rua, senta em um piano que está ali pronto para se mudar, dedilha as teclas e por acaso conhece um pianista pelo qual se apaixona.

Neste meio tempo o marido de sua vizinha fica amigo do novo casal e passa ser a pessoa que tentam arrumar uma namorada, uma vez que ele pega sua mulher na cama com um patrocinador de seu filme (ela é cineasta). Então, após o ex-marido da vizinha sai com a pretendente e Melinda descobre que também se apaixonara por ele.

Não quero entrar em detalhes da sinopse do filme e sim no que eu senti. Mais uma vez, apesar de ter escolhido os filmes ao acaso no Box, o mesmo tema é latente. A vida é cruel, temos nossos traumas, decepções, traições, mas os dias seguem. O que fazer do futuro, sobreviver ou aniquilar cabe a nós. Eu me considero uma sobrevivente e tento ver a vida como uma grande comédia, uma vez que esta é a forma de escapar da dura realidade. Afinal, não conheço um comediante que não tenha uma história de vida trágica, mas seguimos em frente.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O tempo destrói tudo ?


"O tempo destrói tudo." Essa é uma frase repetida algumas vezes no filme Irreversível, produção francesa de Gaspar Noé. Em 2002, quando foi apresentado em Cannes, metade da platéia levantou na cena do estupro de dez minutos. Platéia sair do filme em Cannes é algo que me chama a atenção, como nos filmes do Lars Von Trier. Mas ao assistir a esse filme há poucos dias por indicação de uma pessoa ainda um pouco distante, não tive vontade de desligar ou levantar.

O filme é contado de trás para frente, com uma câmera irrequieta, que no começo incomoda e depois acostumamos. Até porque a história vai ficando mais clara, você vai montando o quebra cabeça. É nítida a animalização dos personagens de Marcus (Vicent Cassel marido na vida real da Monica Belucci) atual namorado de Alex (Monica Belucci) e do ex marido Pierre ao descobrirem sobre o estupro.

O início mostra Marcus e Pierre atormentados, a procura de Tênia, quem estuprou Alex. Em uma boate gay denominada Reto, onde todo tipo de orgia, sado masoquismo é mostrado sem pudores, ambos atacam um possível agressor deles mesmos. A brutalidade, o rosto do agredido afundado, com um sorriso de prazer é incômodo.

O filme é incômodo, não é bonito, não recomendaria a ninguém. De toda forma, a partir daí começa-se a entender o porquê da animalização. Mostram o estupro, sem cortes, também incômodo (novamente). E então as cenas seguintes são mais suaves, a festa onde os três estavam antes de Alex partir para casa.

Festa esta também regada a drogas, sexo e álcool, de alguma forma me fez pensar por que mais aceita do que a primeira?

Depois a relação de Alex e Marcus, leve, quase descompromissada, mas provavelmente marcada pela gravidez de Alex e o filme acaba pelo começo.

Neste caso sim, o tempo destruiu tudo. Mas esta é uma máxima ? Pensei nesta frase para recomeçar a escrever meu blog, porque o tempo o destruiu sim. Muita coisa aconteceu, coisas boas e ruins. Destruição de laços, mas também criação de vários outros, muito mais saudáveis.

E principalmente, uma recriação de mim mesma, quase três anos depois, talvez não tão mais poética, talvez nem tão mais densa. Mais leve, mais feliz, mas não menos crítica.

Se o tempo destruiu, cabe a nós mesmo construirmos de novo, então vamos lá, nesta tarefa incessante que é a vida !