No fundo ninguém aceita ou acredita
O que me fez ver esse filme foi a crítica do Pondé de duas semanas atrás na Folha de São Paulo. Filme passado no mesmo país do diretor (até então desconhecido para mim), Thomas Vinterberg.
Dinamarca, país que se acha tão maravilhoso e superior que não aceita fazer parte ao menos da União Européia Econômica, não utilizando assim o Euro. Generalização talvez burra, mas é inevitável não ver o estereotipo de seus habitantes, inicialmente frios e depois extrovertidos, talvez ao extremo ?
E que extremo seria este ? O que talvez diz, sem dizer, só com atos “fale a verdade, independente qual seja”. E essa verdade precisa ser dita literalmente sempre? Talvez sim, ou não, uma vez que no fundo, ninguém vai verdadeiramente acreditar em você, só quem te ama.
Mais uma vez um filme pesado, que toca, que faz pensar, questiona. É bom poder parar para pensar, mas não se deixar entrar na “piração” de tudo que apresenta. Como meu viés é sempre psicanalítico, me chamou a atenção os questionamentos de dogmas como:
- a criança é pura ? Não, ela mente e sabe mentir;
- Existe “Folie à deux”? Opa, e não só à deux;
- Há uma couraça tão forte a ponto de ser inquebrável ? Não, só uma que fingimos ter diariamente;
- O socialmente correto é tão correto assim? Não;
- Até a sociedade mais evoluída é moralista? Sim;
- Nascemos com doenças psiquiátricas? Sim; apesar de algumas só se desenvolverem em determinadas situações, o fator genético existe sim;
- E a instituição da igreja, aceita ou não a pedofilia? Esta prefiro não ser tão pragmática ao responder.
Proponho questões e falo as minhas respostas. Alguém vai aceitar? Espero que sim, mas acreditar, cada um que tenha sua própria verdade, desde que respeite o próximo, ou não ?