sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Coleção Woody Allen – Manhattan

Filme de 1979, em preto e branco e com maravilhosa trilha sonora de Gershwin. Mais uma vez Woody Allen mostra relações interpessoais e sendo o terceiro filme do Box, me chamou a atenção como traição é sempre um tema recorrente.

Assim como nos dias de hoje o diretor vem falando de cidades como Paris ou Roma, este é sobre Nova Iorque. Já na década de 70 mostra a sociedade nova iorquina muito próxima das metrópoles de hoje. Laços de amizade muito mais fortes do que os familiares, descompromisso nas relações e até uma certa solidão nesse troca troca de parcerias.

Woody Allen é um escritor, que aos 42 anos desiste de seu programa de comédia na TV para escrever um livro. Tem uma namorada de 17 anos que não ama, um casal de amigos que os considera como irmãos e uma ex mulher lésbica interpretada pela Meryl Streep que escreve um livro abrindo para todos a relação dos dois.

Seu amigo tem um caso com a problemática Mary (Diane Keaton), que Woody Allen passa do amor ao ódio durante a trama. Eles terminam o caso e Mary passa a sair com Isaac (Allen), que termina seu relacionamento frágil com a adolescente.

Por fim, Mary volta para o amigo e Isaac ao se ver sozinho tenta reatar com a adolescente, mas sem sucesso, esta que é uma atriz, decide ir para Londres fazer um curso. Acredito que a passagem mais bonita é quando a adolescente consegue passar alguma “lição” para Isaac quando pede para que ele a espere por seis meses e passe a acreditar nas pessoas.

Filme leve, bonito, mas longe dos meus preferidos deste diretor.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Coleção Woody Allen: Setembro / Melinda e Melinda


Com tantos feriados e tempo livre resolvi comprar um Box com 20 DVDs do Woody Allen, são filmes em sua maioria da década de 70 e 80 que não havia visto, com poucas exceções.

Comecei pelo filme Setembro (1987), apesar de ter uma história densa, não é cansativo e muito menos pesado. Lida com o tema das relações humanas, familiares e amores não correspondidos, mas com diálogos irônicos, teias de paixões, decepções e manipulações.

Mia Farrow faz o papel de Lane, uma típica solitária que ao sofrer uma decepção emocional, além de passar por dificuldades na vida profissional, tenta o suicídio (isso não é mostrado). Após o incidente sai de NY e volta para casa onde viveu na infância em Vermont. Lá ela se recupera aos poucos, com a ajuda do amigo Howard, vizinho próximo.

Sua amiga Stephanie também a acompanha neste último fim de semana do mês de Agosto quando tudo parece acontecer. Durante os últimos três meses da sua estadia, Lane se envolve com um inquilino de um chalé próximo, um publicitário que resolve escrever um livro sobre a sobrevivência, Peter (Sam Watson). Ao mesmo tempo sua mãe e padrasto também aparecem sem avisar.

A melhor passagem é quando Peter ao falar do seu livro diz que frente aos acontecimentos da vida existem as pessoas que sobrevivem e outras que se aniquilam. Fica aí a dualidade entre Lane aniquilada com o dia a dia e uma antiga história que ocorreu aos 14 anos e sua mãe, que parece ser capaz de arquivar e esquecer os dias amargos da vida.

Howard ama Lane, que ama Sam, que ama Stephanie que não ama ninguém. E assim seguem as teias de relações fugazes e não correspondidas, que parecem brotar do ódio entre Lane e sua mãe, opostos formados após a morte do amante da mãe de Lane. Apesar desta história ser o centro do roteiro, o que está em volta me chamou mais a atenção. Como lidar com o hoje apesar do passado?


Depois vi o filme mais recente do Box, Melinda Melinda (2004), o qual mostra uma roda de amigos mostrando também a dualidade entre o trágico e o cômico. A mesma história é contada por um escritor de comédias e uma versão contada por um escritor dramático.

Melinda é uma jovem bonita e transtornada, se separa do seu marido médico por estar cansada da vida monótona e se apaixona por um fotógrafo que acaba a deixando. Na versão dramática ela tem dois filhos e mata o amante após a traição, mas é absolvida. Já na cômica, ela não tem filhos e aparentemente não mata ninguém (mas não fica claro), em ambas, ela tenta suicídio.

Na versão dramática, ela chega à casa de amigas de infância sem avisar, aos trapos, logo após ter saído do manicômio em função da tentativa de suicídio. Atrapalha o jantar da casa de sua amiga, se torna um fardo. Ao tentarem arranjar um pretendente para ela, um dentista bem sucedido, ela se apaixona pelo pianista, que ao fim a trai com a melhor amiga e novamente Melinda tenta suicídio.

Já na cômica, ela mora sozinha apesar de transtornada e um dia em que toma muitos calmantes, entra no meio do jantar dos vizinhos pedindo ajuda. As tramas se desenvolvem mas o marido da sua vizinha se apaixona por ela, e atrapalha toda a tentativa de lhe apresentarem também um dentista nesta versão. Por fim, ao andar pela rua, senta em um piano que está ali pronto para se mudar, dedilha as teclas e por acaso conhece um pianista pelo qual se apaixona.

Neste meio tempo o marido de sua vizinha fica amigo do novo casal e passa ser a pessoa que tentam arrumar uma namorada, uma vez que ele pega sua mulher na cama com um patrocinador de seu filme (ela é cineasta). Então, após o ex-marido da vizinha sai com a pretendente e Melinda descobre que também se apaixonara por ele.

Não quero entrar em detalhes da sinopse do filme e sim no que eu senti. Mais uma vez, apesar de ter escolhido os filmes ao acaso no Box, o mesmo tema é latente. A vida é cruel, temos nossos traumas, decepções, traições, mas os dias seguem. O que fazer do futuro, sobreviver ou aniquilar cabe a nós. Eu me considero uma sobrevivente e tento ver a vida como uma grande comédia, uma vez que esta é a forma de escapar da dura realidade. Afinal, não conheço um comediante que não tenha uma história de vida trágica, mas seguimos em frente.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O tempo destrói tudo ?


"O tempo destrói tudo." Essa é uma frase repetida algumas vezes no filme Irreversível, produção francesa de Gaspar Noé. Em 2002, quando foi apresentado em Cannes, metade da platéia levantou na cena do estupro de dez minutos. Platéia sair do filme em Cannes é algo que me chama a atenção, como nos filmes do Lars Von Trier. Mas ao assistir a esse filme há poucos dias por indicação de uma pessoa ainda um pouco distante, não tive vontade de desligar ou levantar.

O filme é contado de trás para frente, com uma câmera irrequieta, que no começo incomoda e depois acostumamos. Até porque a história vai ficando mais clara, você vai montando o quebra cabeça. É nítida a animalização dos personagens de Marcus (Vicent Cassel marido na vida real da Monica Belucci) atual namorado de Alex (Monica Belucci) e do ex marido Pierre ao descobrirem sobre o estupro.

O início mostra Marcus e Pierre atormentados, a procura de Tênia, quem estuprou Alex. Em uma boate gay denominada Reto, onde todo tipo de orgia, sado masoquismo é mostrado sem pudores, ambos atacam um possível agressor deles mesmos. A brutalidade, o rosto do agredido afundado, com um sorriso de prazer é incômodo.

O filme é incômodo, não é bonito, não recomendaria a ninguém. De toda forma, a partir daí começa-se a entender o porquê da animalização. Mostram o estupro, sem cortes, também incômodo (novamente). E então as cenas seguintes são mais suaves, a festa onde os três estavam antes de Alex partir para casa.

Festa esta também regada a drogas, sexo e álcool, de alguma forma me fez pensar por que mais aceita do que a primeira?

Depois a relação de Alex e Marcus, leve, quase descompromissada, mas provavelmente marcada pela gravidez de Alex e o filme acaba pelo começo.

Neste caso sim, o tempo destruiu tudo. Mas esta é uma máxima ? Pensei nesta frase para recomeçar a escrever meu blog, porque o tempo o destruiu sim. Muita coisa aconteceu, coisas boas e ruins. Destruição de laços, mas também criação de vários outros, muito mais saudáveis.

E principalmente, uma recriação de mim mesma, quase três anos depois, talvez não tão mais poética, talvez nem tão mais densa. Mais leve, mais feliz, mas não menos crítica.

Se o tempo destruiu, cabe a nós mesmo construirmos de novo, então vamos lá, nesta tarefa incessante que é a vida !