Personagem real, espaço para cinema e qualquer outro assunto que me passar na cabeça. Esperando não ter heterônimos tão cedo...
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Coleção Woody Allen: Setembro / Melinda e Melinda
Com tantos feriados e tempo livre resolvi comprar um Box com 20 DVDs do Woody Allen, são filmes em sua maioria da década de 70 e 80 que não havia visto, com poucas exceções.
Comecei pelo filme Setembro (1987), apesar de ter uma história densa, não é cansativo e muito menos pesado. Lida com o tema das relações humanas, familiares e amores não correspondidos, mas com diálogos irônicos, teias de paixões, decepções e manipulações.
Mia Farrow faz o papel de Lane, uma típica solitária que ao sofrer uma decepção emocional, além de passar por dificuldades na vida profissional, tenta o suicídio (isso não é mostrado). Após o incidente sai de NY e volta para casa onde viveu na infância em Vermont. Lá ela se recupera aos poucos, com a ajuda do amigo Howard, vizinho próximo.
Sua amiga Stephanie também a acompanha neste último fim de semana do mês de Agosto quando tudo parece acontecer. Durante os últimos três meses da sua estadia, Lane se envolve com um inquilino de um chalé próximo, um publicitário que resolve escrever um livro sobre a sobrevivência, Peter (Sam Watson). Ao mesmo tempo sua mãe e padrasto também aparecem sem avisar.
A melhor passagem é quando Peter ao falar do seu livro diz que frente aos acontecimentos da vida existem as pessoas que sobrevivem e outras que se aniquilam. Fica aí a dualidade entre Lane aniquilada com o dia a dia e uma antiga história que ocorreu aos 14 anos e sua mãe, que parece ser capaz de arquivar e esquecer os dias amargos da vida.
Howard ama Lane, que ama Sam, que ama Stephanie que não ama ninguém. E assim seguem as teias de relações fugazes e não correspondidas, que parecem brotar do ódio entre Lane e sua mãe, opostos formados após a morte do amante da mãe de Lane. Apesar desta história ser o centro do roteiro, o que está em volta me chamou mais a atenção. Como lidar com o hoje apesar do passado?
Depois vi o filme mais recente do Box, Melinda Melinda (2004), o qual mostra uma roda de amigos mostrando também a dualidade entre o trágico e o cômico. A mesma história é contada por um escritor de comédias e uma versão contada por um escritor dramático.
Melinda é uma jovem bonita e transtornada, se separa do seu marido médico por estar cansada da vida monótona e se apaixona por um fotógrafo que acaba a deixando. Na versão dramática ela tem dois filhos e mata o amante após a traição, mas é absolvida. Já na cômica, ela não tem filhos e aparentemente não mata ninguém (mas não fica claro), em ambas, ela tenta suicídio.
Na versão dramática, ela chega à casa de amigas de infância sem avisar, aos trapos, logo após ter saído do manicômio em função da tentativa de suicídio. Atrapalha o jantar da casa de sua amiga, se torna um fardo. Ao tentarem arranjar um pretendente para ela, um dentista bem sucedido, ela se apaixona pelo pianista, que ao fim a trai com a melhor amiga e novamente Melinda tenta suicídio.
Já na cômica, ela mora sozinha apesar de transtornada e um dia em que toma muitos calmantes, entra no meio do jantar dos vizinhos pedindo ajuda. As tramas se desenvolvem mas o marido da sua vizinha se apaixona por ela, e atrapalha toda a tentativa de lhe apresentarem também um dentista nesta versão. Por fim, ao andar pela rua, senta em um piano que está ali pronto para se mudar, dedilha as teclas e por acaso conhece um pianista pelo qual se apaixona.
Neste meio tempo o marido de sua vizinha fica amigo do novo casal e passa ser a pessoa que tentam arrumar uma namorada, uma vez que ele pega sua mulher na cama com um patrocinador de seu filme (ela é cineasta). Então, após o ex-marido da vizinha sai com a pretendente e Melinda descobre que também se apaixonara por ele.
Não quero entrar em detalhes da sinopse do filme e sim no que eu senti. Mais uma vez, apesar de ter escolhido os filmes ao acaso no Box, o mesmo tema é latente. A vida é cruel, temos nossos traumas, decepções, traições, mas os dias seguem. O que fazer do futuro, sobreviver ou aniquilar cabe a nós. Eu me considero uma sobrevivente e tento ver a vida como uma grande comédia, uma vez que esta é a forma de escapar da dura realidade. Afinal, não conheço um comediante que não tenha uma história de vida trágica, mas seguimos em frente.
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