Este é o mais novo filme do romeno Radu Mihaileanu, entre seus trabalhos mais conhecidos estão “O trem da vida” e “O concerto”. Nesta empreitada, o diretor conta uma fábula sobre a situação da mulher inserida no Islã.
O vilarejo não fica exatamente em nenhum lugar real, até para denotar o tom mágico desta obra. A seca assola, não há eletricidade, água encanada e todos seguem rigidamente o Alcorão, ou pelo menos a interpretação dele que mais lhes convém, a misógina.
Os homens que são os que “protegem” as mulheres em um tempo onde não há nada para ser protegido, enquanto estas têm o trabalho árduo de buscar água em uma colina distante e rochosa, percurso que fez várias delas perderem em seus ventres novos rebentos.
Leila então, revolucionária e uma das poucas mulheres letradas, dá início ao movimento “greve de amor”, ou melhor, sexo, porque a grande parte dos casamentos ali mostrados não foi concebida por amor e sim interesses familiares.
Não entrarei em detalhes da história do filme, digo que a fotografia é linda, o colorido, a forma como é mostrado um outro mundo, tão perto e tão distante de nós.
Acredito que foi providencial ter assistido a este filme no dia de Natal, afinal, assim como o Alcorão, a Bíblia é um livro de filosofia e a entendemos da forma que quisermos, que nos for mais favorável.
Não suporto a misoginia, não suporto o atraso do Islamismo, mesmo assim, ainda que mágica, é uma bonita história de como podemos tentar mudar o mundo, ou pelo menos sonharmos com uma mudança.

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