Primeiro uma breve introdução ao Diretor Krzysztof Kieślowski, até então desconhecido por mim. Polonês, falecido aos 54 anos, foi convidado a fazer uma releitura do lema da Revolução Francesa após a comemoração dos seus 200 anos na década de 90 do século passado.
Válido comentar que a trilogia foi executada antes da união européia econômica, para mim a base da tentativa atual de uma união européia cultural, social e principalmente o que permeia todas as trocas comerciais, o Euro.
Branco: cor que reúne todas as outras, consolida todas tonalidades. União, igualdade?
Karol, um cabelereiro polonês, casa-se com a francesa Dominique, que compartilha a mesma profissão. Ambos na França, discutem o divórcio, afinal neste país Karol não consegue consumar o casamento. Primeiro questionamento de igualdade: entre os gêneros. Homens e mulheres são iguais ? Um homem sensível oprimido em um país que não o aceita se torna passageiramente impotente, ele é menos homem por isso ?
Dominique é menos mulher por exigir desempenho de seu marido?
Ocorre o divórcio e Dominique deixa Karol sem nada, além de o incriminar por um crime (incêndio do salão de ambos) cuja culpada é ela. Impossibilita assim qualquer possibilidade que ele consiga voltar à Polônia. Se não houvesse amor, por que mantê-lo perto?
Sem opção, Karol reproduz com seu pente uma música triste polonesa e é ajudado por um conterrâneo. Só ajudamos nossos iguais ? Isso é igualdade ?
Karol volta à Polônia, se reconstrói emocionalmente e economicamente. Dá uma lição de vida ao seu conterrâneo que inicialmente queria desistir da vida por algum motivo não dito e desta forma lhe devolve a vontade de viver.
Dominique é levada a acreditar que Karol está morto e vai ao seu enterro na Polônia, inicialmente se questiona se só pelo dinheiro do ex marido ou por esse amor patológico. Algo que fica sem resposta, afinal nos dias de hoje tudo se compra, grande citação durante toda compra de um corpo de um russo para o enterro.
A vingança e o sexo são consumados, Karol devolve a Dominique na mesma moeda o que ela o fez sofrer na França. Ela paga pela morte do marido que não morreu. E ambos se comunicando por algum tipo de mímica, o filme acaba, quando Karol espia Dominique presa.
A ausência de detalhes é proposital, vejam o filme, lindo, tocante e mesmo assim, não causa nenhuma dor existencial, mas questionamentos, com certeza.
Poloneses, árabes, africanos e qualquer outro ser humano estrangeiro na França, algum dia será aceito como cidadão ? Fica o questionamento, mesmo após de 200 anos da revolução francesa, o lema Igualdade, Fraternidade e Liberdade algum dia será levado ao pé da letra?
Nenhum comentário:
Postar um comentário