segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Feliz Natal

O primeiro filme de Selton Mello como diretor “Feliz Natal” me chamou atenção pelo Making Off, que assisti semana passada no canal Multishow. Lá, ele explicava os sentimentos dele, a ironia do título do filme (idéia que me agrada, pois também me enoja a falsidade das festas de fim de ano), suas influências cinematográficas etc.

Não pretendo aqui fazer uma sinopse, e nem se quisesse eu conseguiria. O filme não tem uma história linear, me pareceu um monte de cenas da degradação humana jogadas, sem nexo. Acho que a palavra que define o que me fez sentir o filme foi “nada”. Ausência completa de “liga”, ausência de falas, ausência de personagens (o ambiente de solidão e angústia para mim era o ator principal).

Li que o Selton Mello tem vasto conhecimento cinematográfico, pois fazia entrevistas de grandes atores do cinema no programa Tarja Preta, do Canal Brasil, e para isso teve que assistir muita coisa, até para ter o que perguntar aos seus entrevistados. Senti isso, alguém que queria vomitar tudo que aprendeu, e vomitou em jorros sucessivos.

Achei que seria algo poético, tocante. Mas não, é um vazio. E não um vazio inquietante, sim um que dá vontade de abandonar o cinema mesmo. A técnica do diretor de fotografia, exagerando nos closes, na câmera inquieta. Se a intenção era mostrar proximidade com os atores, para mim, mostrou pixels estourados.

Em suma, Selton Mello como diretor (lógico que foi um primeiro passo e tudo se aperfeiçoa), hoje é um ótimo ator.


7 comentários:

Anônimo disse...

Aguçou minha curiosidade em ir vê-lo e, ao mesmo tempo, uma interrogação de sobre qual será a mensagem que ele gostaria de passar com esses "jorros de informações"...

Tiago Moralles disse...

Como dita a regra.
"Nada".
Nada no cinema, nada nas artes, nada no mundo. Nadinha de nada.
Até que esse nada me deixou curioso.

Eu por mim mesma disse...

Esse é meu olhar... Concluindo o texto, o Making Off dava idéia de algo extremamente tocante, profundo. Ele citou milhares de referências. Uma delas, "O pântano" de Lucrécia Martel, que ele reproduz na piscina da casa do irmão do ator principal (Leonardo Medeiros). Em suma, ele queria mostrar tanto sentimento, tanta coisa, que se embananou e acabou é fazendo um filme "difícil" como li umas críticas. Mas não difícil como um Lynch, difícil de mal feito, difícil de aguentar eus 106 minutos mesmo. Mas sim, vão assistir, cada um com seu olhar.

Bárbara disse...

Concordo com o fato de que o filme é um vômito de desgraças, que se tornam sufocantes depois de certo tempo de exibição.
Não gostei do formato embora a idéia do filme seja interessante.

Me paira uma dúvida, me senti incomodada e com vontade de ir embora, será que era esta a idéia ou estava tendo um ataque de pânico no cinema pois o filme era bem chato?

Eu por mim mesma disse...

Bizinha,

O filme é um porre mesmo, ou melhor, uma ressaca das piores. Não foi ataque de pânico... rs... Foi chatice pura !!! Bjs !!!

Anônimo disse...

Li aqui: "Feliz Natal" e "o ambiente de solidão e a angústia eram atores principais".
Essas questões nem sempre são bem digeridas, há uma tendência em se acompanhar o que foi definido como comercialmente aceitável em via de regras sociais. E vende-se assim os filmes, os trailers são criados com essa veia: trazer platéia.
Não vi o filme, mas posso garantir pelo título e sua sensação inicial, que ao menos nominar e ser irônico ele sabe.

Eu por mim mesma disse...

Jackeline,
Só por curiosidade,como vc chegou até aqui? rs... Sou nova no mundo dos blogs.
Obrigada pelo comentário, concordo com o que vc disse em relação a maneira que se fazem filmes para se comercializar. No entanto, os que eu mais gostei na vida nunca foram os grandes sucessos de Hollywood. Assista, se que conseguir te tocar o "Feliz Natal", maravilha, infelizmente a mim, não tocou.