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domingo, 8 de março de 2009

A mulher e a fé


Apesar de toda minha formação cristã católica da infância, e do afastamento um tanto coerente com a explosão de questionamentos da adolescência, ainda não nego minha religião. Ou melhor, que me deram base sólida de ética, comprometimento com os próximos e afins. Mas o “meu Deus” está a cada dia mais longe da Instituição da Igreja Católica.

Em pleno dia Internacional da Mulher não consigo não comentar o caso da criança estuprada pelo padrasto e sua repercussão na mídia. Então médicos salvarem a vida de uma criança devido a um ato de extrema violência, são excomungados, enquanto o estuprador é um mero “pecador” e continuará livre para freqüentar a igreja.

Onde está a ética nesse caso? Provavelmente junto com toda a anacronia dessa instituição digna de revolta, angústia, que nutre em seus fiéis o sentimento doentio da culpa e os mantém sob as rédeas do medo de um provável inferno. Tenho certeza, o inferno é aqui.

Perdoar um estuprador pedófilo é algo que a digníssima Igreja Católica já está acostumada, já que os casos de abusos de padres aos seus supostos ajudantes, coroinhas ou qual queres outras crianças que se aproximam, sempre são abafados, não vejo ninguém preso por isso. Deus abençoa o estupro?

Já sou veemente a favor do aborto, mas isso fica outro tópico (lógico que todas as medidas devem ser estudadas e não matar fetos indiscriminadamente). Mas o mais importante, é no corpo da mulher que ocorre a gravidez. O papel do pai é inegável. Mas quando você se vir em uma situação de perigo, em qual a primeira pessoa que você pensa? Tirando os casos de patologia, na sua mãe. A ligação não é só genética, é visceral, indescritível e nunca será entendida por um ser humano do gênero masculino, daí já considero que eles nem direito a questionar quem escolhe (mulheres adultas) por não se sentir capaz de ser mãe.

Freud, Young, Lacan todos concordavam que no inconsciente nossa procura por um lugar seguro está muito ligada ao útero, laço imaginário que permanece para o resto da vida.

Em suma, parabéns para as mães, para as mulheres executivas, as donas de casa, as filhas, as irmãs, as namoradas, esposas, amantes, e principalmente a todas que conseguem ser no mínimo dois ou três dos papéis supracitados. Parabéns a todas as mulheres, pois nós somos definitivamente o sexo forte. Nunca nenhum humano do gênero masculino será capaz de chegar aos nossos pés!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Meus vite e seis anos


Hoje é meu aniversário, mas ao invés de ter vontade de celebrar a vida, sinto-me abatida por uma tristeza pouco racional. Sei que envelhecemos diariamente, os anos são construídos por segundos, minutos, horas, dias, semanas; no entanto, só celebramos a cada doze meses nossa existência.

Sinto-me como no Reveillon, uma mera mudança de ano, um dia como qualquer outro. Ao mesmo tempo, paramos para pensar como foi o ano anterior, quais foram as conquistas, os fracassos. O que eu poderia ter feito melhor? Quais motivos de comemoração?

Sempre me cobrei demais. Hoje me lembro de uma frase de um padre que passou pela segunda temporada do Lost (que antes de ser um padre fora participante de facções como o PCC de um País da África). Próximo da morte, ele tem a chance de se confessar ao espírito do seu irmão, também padre (este com uma história ilibada). E ele simplesmente diz, mais ou menos assim: não tenho do que pedir perdão, cometi erros que me perseguem diariamente, mas eu não escolhi minha vida, ela que me escolheu e estou tranqüilo por ter feito o melhor que eu pude frente ao que passei.

Lembrando de filmes, o Duas Vidas, que postei um comentário semanas atrás me tocou porque se eu me encontrasse hoje com meu eu de oito anos de idade, o que eu acharia de mim? Feliz ou infelizmente meu conceito de sucesso e fracasso mudou. Ao mesmo tempo lembro-me do Curioso caso de Benjamin Button, sinto que nasci velha, cheia de manias, medos e regras. À medida que os anos vão passando, minha alma fica mais jovem, vejo a vida de uma maneira mais simples, exijo bastante de mim, mas não a ponto mais de me crucificar.

Esse é um comentário da minha ainda breve vida. Que venha o que tiver que vir, só peço força para agüentar o futuro.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Oligopólio bancário #1


A tendência de fusões e aquisições do setor bancário é algo que se iniciou na década de 1990. No entanto, tal comportamento está em minha opinião chegando ao extremo, principalmente no sentido de diminuir a opção dos consumidores. Abaixo analiso alguns aspectos da incorporação do Banco Nossa Caixa (BNC) pelo Banco do Brasil (BB). Algumas informações podem não ser encontradas na mídia, mas são sim verdadeiras, já que sou ex-funcionária do BNC e por causa dessa fusão perdi meu cargo, mesmo sendo concursada e muito bem colocada.

Política: O governador do estado de São Paulo, ilustríssimo Serra (do partido dos picolés de chuchu) não vendeu o BNC “só” pelos R$ 5,38 bilhões noticiados. O vendeu para conseguir em troca alguns anos de concessão da Companhia Paulista de Energia Elétrica do governo Federal e assim conseguir privatizá-la, sonho que não se fez possível no início desse ano.

Funcionários: sou o exemplo vivo de que toda essa negociação dará sim em milhares de demissões. O BNC não terceiriza sua administração, como faz o BB. Então me respondam, para onde vãos os mais de 15 mil funcionários da área administrativa do BNC? Pergunta retórica, para sarjeta. Vale destacar que os concursados pelo BB são regidos pelo regime estatutário, enquanto os do BNC são meros celetistas. Ou seja, apesar da teórica estabilidade dos funcionários do BNC é possível demití-los sim, mesmo com décadas de carreira, já os estatutários, seria necessária uma justa causa, muito justa para perderem seu cargo.

Correntistas: nesse caso em específico, os correntistas do BNC se beneficiarão com taxas menores e melhor sistema informatizado, devido a incorporação. Lamento escrever que grande parte da informatização do BNC ainda se encontra na plataforma DOS. Mas esse é um caso à parte, os correntistas irão sim sofrer com a falta de opção e serão obrigados a aceitar taxas ainda mais abusivas devido a falta de concorrência do mercado bancário.

Fez-me rir, ou melhor, gargalhar, a notícia da “fusão” do Itaú e Unibanco. Comprando o BNC, o BB pretendia assumir o posto de maior banco do Brasil. Fez toda essa “maracutaia” para atingir o topo não permitindo o que seria mais legítimo, o leilão do BNC. Percebendo sua impotência, já que um banco federal não pode participar de leilões privados, o que se faz nesse belíssimo País? Mudam-se as leis e agora o BB pretende adquirir o Banco Votorantim (da iniciativa privada), mas mesmo assim continuará muito longe da posição almejada ao incorporar o BNC.

Como dizem, vingança é um prato que se come frio. Veio rápida a possibilidade de rir de toda essa situação.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Passagem autobiográfica # 1

“Vou-me embora pra Pasárgada” – Manuel Bandeira

Aos dezoito anos, quando vim para a selva de pedra, tinha a ilusão pueril que o sucesso, a felicidade a realização pessoal dependiam exclusivamente do local onde eu estivesse e assim vim para a “terra das oportunidades”.

Confesso que tinha a ousadia de criticar minha terra Natal, seus costumes aristocratas, a falta de cultura das pessoas, a mesmice que assolava o dia a dia de seus habitantes. O calor também era insuportável, lá eu não era transparente em função do Sol constante.

Em São Paulo realizei o sonho de outrem. Consegui me formar na melhor faculdade de Economia da América Latina, tive aula com professores livres docentes que escrevem nas colunas nos jornais de maior tiragem nacional. Tive aula com o irmão do Chico Buarque (diga-se de passagem, ótimo pesquisador, péssimo professor).

Aprendi muito, ainda aprendo diariamente, imersa nesse caos de diversidade de cultura, gente, opções sexuais. Vários dos meus preconceitos se dissolveram, aprendi aqui o valor do dinheiro, do trabalho suado. E sim, almejo continuar aqui para seguir minha carreira que se iniciou junto com a faculdade.

No entanto, acredito que muito têm a aprender os paulistanos em cidades como a minha. Principalmente a se humanizar. Não ter medo do próximo, dar valor aos vínculos, às amizades. Afinal, dia ou outro todo mundo precisa de alguém, e na bolha que as pessoas criam aqui nem quero imaginar a dor de ter que estourá-la quando necessário.

Não importa onde eu esteja, e sim como estou por dentro, o local externo é uma mera paisagem se não souber aproveitar. Fico feliz em passar alguns dias com meus pais, receber o calor não só do Sol, mas principalmente o humano. Deixar um pouco minha transparência paulistana e ser alguém que faz diferença na vida de outras pessoas, alguém com nome e sobrenome, e não mais uma na multidão.

Não pertenço a nenhum lugar, continuarei sim aqui, mas sonho em um dia encontrar minha Pasárgada.