
A tendência de fusões e aquisições do setor bancário é algo que se iniciou na década de 1990. No entanto, tal comportamento está em minha opinião chegando ao extremo, principalmente no sentido de diminuir a opção dos consumidores. Abaixo analiso alguns aspectos da incorporação do Banco Nossa Caixa (BNC) pelo Banco do Brasil (BB). Algumas informações podem não ser encontradas na mídia, mas são sim verdadeiras, já que sou ex-funcionária do BNC e por causa dessa fusão perdi meu cargo, mesmo sendo concursada e muito bem colocada.
Política: O governador do estado de São Paulo, ilustríssimo Serra (do partido dos picolés de chuchu) não vendeu o BNC “só” pelos R$ 5,38 bilhões noticiados. O vendeu para conseguir em troca alguns anos de concessão da Companhia Paulista de Energia Elétrica do governo Federal e assim conseguir privatizá-la, sonho que não se fez possível no início desse ano.
Funcionários: sou o exemplo vivo de que toda essa negociação dará sim em milhares de demissões. O BNC não terceiriza sua administração, como faz o BB. Então me respondam, para onde vãos os mais de 15 mil funcionários da área administrativa do BNC? Pergunta retórica, para sarjeta. Vale destacar que os concursados pelo BB são regidos pelo regime estatutário, enquanto os do BNC são meros celetistas. Ou seja, apesar da teórica estabilidade dos funcionários do BNC é possível demití-los sim, mesmo com décadas de carreira, já os estatutários, seria necessária uma justa causa, muito justa para perderem seu cargo.
Correntistas: nesse caso em específico, os correntistas do BNC se beneficiarão com taxas menores e melhor sistema informatizado, devido a incorporação. Lamento escrever que grande parte da informatização do BNC ainda se encontra na plataforma DOS. Mas esse é um caso à parte, os correntistas irão sim sofrer com a falta de opção e serão obrigados a aceitar taxas ainda mais abusivas devido a falta de concorrência do mercado bancário.
Fez-me rir, ou melhor, gargalhar, a notícia da “fusão” do Itaú e Unibanco. Comprando o BNC, o BB pretendia assumir o posto de maior banco do Brasil. Fez toda essa “maracutaia” para atingir o topo não permitindo o que seria mais legítimo, o leilão do BNC. Percebendo sua impotência, já que um banco federal não pode participar de leilões privados, o que se faz nesse belíssimo País? Mudam-se as leis e agora o BB pretende adquirir o Banco Votorantim (da iniciativa privada), mas mesmo assim continuará muito longe da posição almejada ao incorporar o BNC.
Como dizem, vingança é um prato que se come frio. Veio rápida a possibilidade de rir de toda essa situação.