O ano novo chega, sem pedir licença, simplesmente acontece, como tudo na vida. No entanto, apesar da falsa propaganda que as festas do fim de ano que são uma celebração da vida, encontros com os familiares, felicidade absoluta; para o resto da humanidade real o tempo de balanço, imposto no nosso subconsciente, o fim de um período, o início de outro, com metas intangíveis, pensamentos positivos em excesso, porque é assim e pronto.
Todo mundo tem que em 2010 em ser feliz, ser bom de cama, ter um emprego satisfatório, ser magro ou no mínimo atlético, encontrar parceiros compatíveis, conciliar o bendito tempo que nos suga das obrigações e o tempo que devemos ter com nossos queridos companheiros de vida.
É tanta pressão, tanta cobrança que se explode em fogos de artifício, não por acaso tão artificiais quanto nossas expectativas. A realidade se impõe em todo dia primeiro. O primeiro dos trezentos e sessenta e cinco.
Minha proposta é não ter que fazer nada, simplesmente deixar a vida acontecer, sem perder as rédeas desse cavalo alado que nos leva aos lugares e a situações inesperadas. A vida não é fácil para ninguém, não temos um final feliz como nas novelas, então aproveitemos os momentos errados, as pessoas erradas e vivemos !
Principalmente, olhemos para nosso próprio umbigo e calculemos nossas imensas limitações, e consciente delas, aceitemos as zilhões de limitações dos outros, porque ninguém é melhor do que ninguém, somos todos seres humanos, falíveis, patológicos, buscando incessantemente por o menor de erros possível.
Agradeço meu único leitor Tiago, e se houver outros, que passem a comentar, porque sem comentários, um blog não sobrevive.
Um feliz 2010 para todo o mundo e que nossos momentos de folga sejam intensamente aproveitados, sem a pressão que nos move diariamente.
Personagem real, espaço para cinema e qualquer outro assunto que me passar na cabeça. Esperando não ter heterônimos tão cedo...
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
2012 – O milagre da telefonia móvel
Por não ter percebido que comprei minha passagem de volta para casa no horário errado, acabei tendo que ficar algumas horas a mais na Ogrolândia. Para passar o tempo, fui com minha progenitora ao cinema, e acreditem ou não, o filme menos pior era o tal do 2012, o sub título não sei.
Outro dia, quando lia a Folha On line, confesso que achei interessante a sinopse ao ler uma crítica sobre esse filme, que apesar da malhada do escritor, soube das pesquisas feitas em estações subterrâneas com os neutrinos. No filme esses tais neutrinos sofrem uma mutação e passam a produzir microondas, a mágica para a destruição, não sei explicar, eu sinceramente cochilei nesse momento.
Enfim, acordei no momento em que tudo estava se destruindo, e o John Cusack protegia sua família, numa sequencia de cenas que nem no filme Duro de matar XX vai conseguir superar. De pular rachaduras da crosta terrestre, a andar em cima de lava, de tudo acontece e nem um arranhão em ninguém.
Se a intenção era assustar, me deu sono, raiva, e depois achei engraçado o milagre da telefonia celular. Quer dizer que em praticamente 3 anos (já que o final do mundo está marcado para 21/12/2012) os celulares não se derreterão nem com o calor de lavas borbulhantes, funcionarão com todos os satélites, antenas destruídas e não se abaterão nem com um tsunami gigante. De todas as previsões essa foi sinceramente a mais digna de riso.
Sempre escrevo sobre filmes que fui ver intencionalmente, esse foi um erro de percurso, e que erro, passem longe. Definitivamente o pior filme que já vi na minha vida.
Outro dia, quando lia a Folha On line, confesso que achei interessante a sinopse ao ler uma crítica sobre esse filme, que apesar da malhada do escritor, soube das pesquisas feitas em estações subterrâneas com os neutrinos. No filme esses tais neutrinos sofrem uma mutação e passam a produzir microondas, a mágica para a destruição, não sei explicar, eu sinceramente cochilei nesse momento.
Enfim, acordei no momento em que tudo estava se destruindo, e o John Cusack protegia sua família, numa sequencia de cenas que nem no filme Duro de matar XX vai conseguir superar. De pular rachaduras da crosta terrestre, a andar em cima de lava, de tudo acontece e nem um arranhão em ninguém.
Se a intenção era assustar, me deu sono, raiva, e depois achei engraçado o milagre da telefonia celular. Quer dizer que em praticamente 3 anos (já que o final do mundo está marcado para 21/12/2012) os celulares não se derreterão nem com o calor de lavas borbulhantes, funcionarão com todos os satélites, antenas destruídas e não se abaterão nem com um tsunami gigante. De todas as previsões essa foi sinceramente a mais digna de riso.
Sempre escrevo sobre filmes que fui ver intencionalmente, esse foi um erro de percurso, e que erro, passem longe. Definitivamente o pior filme que já vi na minha vida.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Anticristo

Finalmente um filme do diretor dinamarquês Lars Von Trier que consegui assistir até o final e com vontade. Não diria que é um filme bonito, até porque é um tratado de doenças mentais levadas a cabo, mas é dolorido, chocante, irritante, revoltante, ou seja, toca em sentimentos íntimos e causa incômodo. Inquietante talvez seja o melhor adjetivo.
Infelizmente não encontrei tantas críticas quanto gostaria para poder entendê-lo melhor. Do que li: um fazia uma correlação com o filme e o livro de Nietzsche homônimo (interpretação que nada posso comentar já que não li o livro); outro considerava o refúgio do casal sem nome (só chamados de Ele e Ela) no Éden (uma cabana no mato) a recriação da Gênese bíblica se quem tivesse criado o mundo fosse o Satanás.
Em entrevista Lars Von Trier disse que não tem que explicar nada, que fez o filme para ele mesmo enquanto estava num período de depressão profunda. Relendo as interpretações acima e pensando nas minhas me pergunto se não são dignas de riso, como a raposa que passa e diz (é, a raposa fala) “o caos reina”.
São tantos símbolos, tantas imagens tocantes, tanta informação que ainda não digeri tudo. A seqüência em preto e branco é a de melhor qualidade de fotografia e música, apesar de sórdida, sarcástica. Enquanto o casal anônimo transa, o pequeno filho Nick se taca da janela em um bonito dia de neve.
Ela, uma escritora, que no verão anterior já tinha ido ao Éden com o filho com a finalidade de escrever sobre genocídios femininos questiona a todo o momento: seus medos, o que é o bem e o mal, o cerne e a razão de tudo após a morte do filho. Enquanto Ele é um terapeuta que cometendo um erro crasso de ética quer tratar a própria esposa e considera que as indicações medicamentosas são desnecessárias.
Enfrentar o Éden é a terapia (além de sexo) indicada por Ele. E lá é onde tudo se desenrola. Questionamentos, medos, cenas de violência e por fim a automutilação dela, que retira o próprio clitóris com uma tesoura. Acho que isso é meio óbvio que ela não se sente digna a ter prazer (ou sente culpa por senti-lo, já que viu o filho pulando enquanto sentia prazer sexual).
Não sei se o Éden é o inconsciente de alguém, se o veado tem algum significado, realmente não sei muita coisa, ou nada. O que acho mais plausível é uma alusão a gênese bíblica, um homem e uma mulher no Éden, descobrindo o bem e o mal e a constatação de que o prazer é um pecado a ser instinto, só o medo e a dor reinam.
Vale destacar que Ela sempre colocava os sapatos do filho trocados, o que lhe causou uma fratura constatada na autópsia. E ambos só percebem tal fato ao olharem fotos do filho. Na minha cabeça isso denota a ausência de sentidos, o não saber o que é direito e esquerdo, questionar o certo e o errado.
Por fim, é sarcástico no final do filme lembrar a frase que Ele fala para Ela ao sugerir a terapia “não existe ninguém que conhece melhor o que tem dentro de você do que eu”. Ninguém conhece por completo a si próprio, quiçá o outro.
Lição do filme: nunca deixe de tomar seus remédios psiquiátricos se um médico lhe prescrever...
Infelizmente não encontrei tantas críticas quanto gostaria para poder entendê-lo melhor. Do que li: um fazia uma correlação com o filme e o livro de Nietzsche homônimo (interpretação que nada posso comentar já que não li o livro); outro considerava o refúgio do casal sem nome (só chamados de Ele e Ela) no Éden (uma cabana no mato) a recriação da Gênese bíblica se quem tivesse criado o mundo fosse o Satanás.
Em entrevista Lars Von Trier disse que não tem que explicar nada, que fez o filme para ele mesmo enquanto estava num período de depressão profunda. Relendo as interpretações acima e pensando nas minhas me pergunto se não são dignas de riso, como a raposa que passa e diz (é, a raposa fala) “o caos reina”.
São tantos símbolos, tantas imagens tocantes, tanta informação que ainda não digeri tudo. A seqüência em preto e branco é a de melhor qualidade de fotografia e música, apesar de sórdida, sarcástica. Enquanto o casal anônimo transa, o pequeno filho Nick se taca da janela em um bonito dia de neve.
Ela, uma escritora, que no verão anterior já tinha ido ao Éden com o filho com a finalidade de escrever sobre genocídios femininos questiona a todo o momento: seus medos, o que é o bem e o mal, o cerne e a razão de tudo após a morte do filho. Enquanto Ele é um terapeuta que cometendo um erro crasso de ética quer tratar a própria esposa e considera que as indicações medicamentosas são desnecessárias.
Enfrentar o Éden é a terapia (além de sexo) indicada por Ele. E lá é onde tudo se desenrola. Questionamentos, medos, cenas de violência e por fim a automutilação dela, que retira o próprio clitóris com uma tesoura. Acho que isso é meio óbvio que ela não se sente digna a ter prazer (ou sente culpa por senti-lo, já que viu o filho pulando enquanto sentia prazer sexual).
Não sei se o Éden é o inconsciente de alguém, se o veado tem algum significado, realmente não sei muita coisa, ou nada. O que acho mais plausível é uma alusão a gênese bíblica, um homem e uma mulher no Éden, descobrindo o bem e o mal e a constatação de que o prazer é um pecado a ser instinto, só o medo e a dor reinam.
Vale destacar que Ela sempre colocava os sapatos do filho trocados, o que lhe causou uma fratura constatada na autópsia. E ambos só percebem tal fato ao olharem fotos do filho. Na minha cabeça isso denota a ausência de sentidos, o não saber o que é direito e esquerdo, questionar o certo e o errado.
Por fim, é sarcástico no final do filme lembrar a frase que Ele fala para Ela ao sugerir a terapia “não existe ninguém que conhece melhor o que tem dentro de você do que eu”. Ninguém conhece por completo a si próprio, quiçá o outro.
Lição do filme: nunca deixe de tomar seus remédios psiquiátricos se um médico lhe prescrever...
sábado, 25 de julho de 2009
Um grande garoto

“Todo homem é uma ilha,
Se não sais de ti, não chegas a saber...”
José Saramago, em O conto da ilha desconhecida
Assisti esse filme devido a uma iniciativa da indústria farmacêutica Libbs, que resolveu fazer uma coletânea de filmes denominado “Cinema e Psiquiatria” e distribuiu para médicos. Sendo filha de dois, explicado meu acesso.
Mais um filme hollywoodiano que gostei. Uma adaptação agridoce do livro de Nick Hornby. É a história de um homem moleque de 38 anos, interpretado pelo Hugh Grant (Will) e um garoto de 12 anos Nicholas Hoult (Marcus). Os dois se identificam por se sentirem isolados. Will por ser um homem superficial e solitário, que vive de herança e nada faz, ele tem consciência do próprio isolamento, que considera inerente à modernidade, e não um sintoma de solidão. Já o garoto Marcus percebe sua diferença em relação à maioria das crianças da escola e não reage ao bullying diário, além de aturar alterações de humor da mãe ou sua passagem no hospital após tentativa de suicídio.
A mãe Toni Collete (Fiona) expressa meu mal estar com todos os elementos mais prosaicos da cultura pop, que habitualmente questionariam um diagnóstico de depressão: é uma naturalista radical, ativista feminista convicta e veste-se como uma hippie que não viu o tempo passar. Quanto a Fiona, fica nítido que o sofrimento gerado pelo quadro depressivo, a constatação dos limites da psicopatologia é mostrada em toda a sua grandeza, não só do ponto de vista do paciente, mas pelas pessoas que estão ao seu redor.
A parte bonita do filme é o enlace entre os personagens e sua conclusão, o cenário de um embate inevitável e a resolução por meio de uma nova convivência baseada no reconhecimento dos potencias e dos limites do próximo. Na vontade de estarem juntos numa busca (humana e eterna) de felicidade. Felicidade aqui entendida como possibilidade de adaptação às circunstâncias da existência.
Se não sais de ti, não chegas a saber...”
José Saramago, em O conto da ilha desconhecida
Assisti esse filme devido a uma iniciativa da indústria farmacêutica Libbs, que resolveu fazer uma coletânea de filmes denominado “Cinema e Psiquiatria” e distribuiu para médicos. Sendo filha de dois, explicado meu acesso.
Mais um filme hollywoodiano que gostei. Uma adaptação agridoce do livro de Nick Hornby. É a história de um homem moleque de 38 anos, interpretado pelo Hugh Grant (Will) e um garoto de 12 anos Nicholas Hoult (Marcus). Os dois se identificam por se sentirem isolados. Will por ser um homem superficial e solitário, que vive de herança e nada faz, ele tem consciência do próprio isolamento, que considera inerente à modernidade, e não um sintoma de solidão. Já o garoto Marcus percebe sua diferença em relação à maioria das crianças da escola e não reage ao bullying diário, além de aturar alterações de humor da mãe ou sua passagem no hospital após tentativa de suicídio.
A mãe Toni Collete (Fiona) expressa meu mal estar com todos os elementos mais prosaicos da cultura pop, que habitualmente questionariam um diagnóstico de depressão: é uma naturalista radical, ativista feminista convicta e veste-se como uma hippie que não viu o tempo passar. Quanto a Fiona, fica nítido que o sofrimento gerado pelo quadro depressivo, a constatação dos limites da psicopatologia é mostrada em toda a sua grandeza, não só do ponto de vista do paciente, mas pelas pessoas que estão ao seu redor.
A parte bonita do filme é o enlace entre os personagens e sua conclusão, o cenário de um embate inevitável e a resolução por meio de uma nova convivência baseada no reconhecimento dos potencias e dos limites do próximo. Na vontade de estarem juntos numa busca (humana e eterna) de felicidade. Felicidade aqui entendida como possibilidade de adaptação às circunstâncias da existência.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
O lutador

Confesso que já queria ter assistido a esse filme há alguns meses, mas só agora tive a oportunidade, sinceramente, podia ter ficado sem assistir. Absolutamente todas as pessoas que assistiram que eu conheço me disseram “você tem que ver esse filme, é maravilhoso”. Depois de assisti-lo tomei consciência que os seres que me recomendaram eram todos homens, daí ficou mais claro o encanto que este filme lhes causou.
Perdoem-me pela crítica extremamente ácida, talvez não tenha sido um bom momento para ver essa “obra”. Eu queria verdadeiramente ver alguma beleza, mas não vi nada. Um cara lutador, desacreditado, falido, num momento de plena decadência, insiste na carreira que um dia lhe trouxe glória (até aí tudo bem). Sofre um enfarte, tenta então 20 anos depois lutar com seu rival histórico, da luta que o consagrou. Literalmente se matando, vai à luta e vence, porque o outro o deixa vencer. Superação?
Soma-se o fato de o diretor, o mesmo de (Réquiem para um Sonho) Darren Aronofsky, tenta passar um ar de “coitadinho” para o protagonista interpretado por Mickey Rourke. Cara este hipertrofiado por remédios e exercícios excessivos, que abandou a própria filha que provavelmente teve com alguma fã que pegou na esquina quando ainda vivia seu momento de glória, antes de fazer bico em um supermercado atendendo clientes ou carregando caixas.
Randy (o carneiro) se vê completamente sozinho, aos seus 50 anos? Se for menos, ele realmente estava acabado. Ao invés de pagar o aluguel de um hotel fracassado, passa seus dias descolorindo o cabelo, fazendo bronzeamento artificial e freqüentando puteiros, além de tomar cerveja no café da manhã. É para ter pena de uma pessoa assim?
Para mim o que fica bem claro é que a solidão é inevitável para os viciados em trabalho, quem nunca deu valor aos laços interpessoais. PESSOAS PRECISAM DE PESSOAS, não há trabalho, estudo, dinheiro que cubra esse vazio.
Aos homens, que provavelmente acharam lindo o filme por gostarem da idéia de ter uma vida patética, solitária, doentia, uma dica: AMADUREÇAM !
Seres que podem ser chamados de lutadores, não são os que ganham na vida, e sim os que não desistem e não só do seu trabalho, do seu dom, mas do próximo, da família. O mundo não te aceita? Reveja seus conceitos e pense o porquê.
Perdoem-me pela crítica extremamente ácida, talvez não tenha sido um bom momento para ver essa “obra”. Eu queria verdadeiramente ver alguma beleza, mas não vi nada. Um cara lutador, desacreditado, falido, num momento de plena decadência, insiste na carreira que um dia lhe trouxe glória (até aí tudo bem). Sofre um enfarte, tenta então 20 anos depois lutar com seu rival histórico, da luta que o consagrou. Literalmente se matando, vai à luta e vence, porque o outro o deixa vencer. Superação?
Soma-se o fato de o diretor, o mesmo de (Réquiem para um Sonho) Darren Aronofsky, tenta passar um ar de “coitadinho” para o protagonista interpretado por Mickey Rourke. Cara este hipertrofiado por remédios e exercícios excessivos, que abandou a própria filha que provavelmente teve com alguma fã que pegou na esquina quando ainda vivia seu momento de glória, antes de fazer bico em um supermercado atendendo clientes ou carregando caixas.
Randy (o carneiro) se vê completamente sozinho, aos seus 50 anos? Se for menos, ele realmente estava acabado. Ao invés de pagar o aluguel de um hotel fracassado, passa seus dias descolorindo o cabelo, fazendo bronzeamento artificial e freqüentando puteiros, além de tomar cerveja no café da manhã. É para ter pena de uma pessoa assim?
Para mim o que fica bem claro é que a solidão é inevitável para os viciados em trabalho, quem nunca deu valor aos laços interpessoais. PESSOAS PRECISAM DE PESSOAS, não há trabalho, estudo, dinheiro que cubra esse vazio.
Aos homens, que provavelmente acharam lindo o filme por gostarem da idéia de ter uma vida patética, solitária, doentia, uma dica: AMADUREÇAM !
Seres que podem ser chamados de lutadores, não são os que ganham na vida, e sim os que não desistem e não só do seu trabalho, do seu dom, mas do próximo, da família. O mundo não te aceita? Reveja seus conceitos e pense o porquê.
domingo, 28 de junho de 2009
Nasceu preto, ficou branco e virou cinza

Depois de tanta martelação da mídia, sinto-me capaz de escrever uma biografia completa do Michael Jackson. Desde o início de sua carreira aos cinco anos com os Jackons Five, a explosão do seu sucesso em 1982 com o disco Thriller, a decadência na década de 90, quando veio ao Brasil gravar um clipe junto com o Olodum no Pelourinho. Apesar de adorar biografia, confesso que nunca fui fã do MJ, suas músicas, sua revolução nos clipes dirigidos até pelo Spike Lee, sua dança comentada até pela Zélia Duncan, portanto, quanto a sua obra, nada posso comentar. Acredito que para a cultura pop foi sim um gênio. Mas como todo bom gênio, prefiro escrever da sua parte obscura, sua loucura, negação de si mesmo, o desejo de nunca se tornar adulto.
Não precisa ser psiquiatra para saber que quem tem a Síndrome de Peter Pan faz a opção pela infantilidade infinita. Alguém que tem um rancho com o nome de “Neverland” nem precisa de especialista para constatar o diagnóstico. Esta síndrome caracteriza-se por determinados comportamentos, imaturos em aspectos comportamentais, psicológicos, sexuais ou sociais. Rasgos de irresponsabilidade, rebeldia, cólera, narcisismo, dependência, negação ao envelhecimento. Precisa de mais alguma definição para constatar o óbvio?
Então MJ era pedófilo ou sofria de infatilismo? Segundo ele, gostava de viver ao redor de crianças por ter tido uma infância muito dura, ter iniciado uma carreira com poucos anos de idade. Além de ter “perdido” a infância, a dele foi marcada por xingamentos dos pais. Nossos pais são nossa base, se ela é mal estruturada acabamos sim sendo um espelho disso. Xingando ou não, o pai estava do lado, apoiou a carreira dele e provavelmente fez o que conseguiu.
O infantilismo não pode ser confundido com pedofilia. O primeiro não envolve sexo com crianças e sim o desejo de ser uma. Os infantilistas têm prazer em sentir-se como bebês, desprotegidos e frágeis, usam fraldas, chupetas e afins. Até onde eu saiba essas vestimentas ele não usava (em público), mas ter um parque de diversões em um rancho já é um bom indício.
Outra tristeza é não aceitar a própria aparência, tanto por negar a idade, como não ver beleza em si mesmo. Alguns tentam explicar as milhares de plásticas por um incidente de um comercial da Pepsi, onde MJ teve parte do couro cabeludo queimado. Não acredito ser só isso, a transformação que o levou a parecer um alienígena foi excessiva. O vitiligo não provoca mudança de cor e sim manchas (até gigantes) despigmentadas, mas nunca uniforme (outro mistério do alien). Daí é aceitável a comunidade negra (ou parte mínima dela) não aceitá-lo por ele ter negado a própria origem para ser melhor aceito na sociedade.
Como alguém que conhece a própria loucura optou por reprodução in vitro (provavelmente nunca teve interesse sexual por mulheres adultas), e não criou seus filhos, afinal, ele mesmo tinha noção que não seria uma boa influência e, como toda boa criança, fugiu da responsabilidade de tentar ser o pai que nunca teve.
Pedófilo, infantilista ou transformista? Ou será todas as opções? Realmente não sei. O que acredito, como Gil Vicente definiu bem na sua obra “O auto da barca do inferno” os loucos vão para o céu. E quando MJ chegou lá a primeira pergunta dele foi “Onde está o menino Jesus?”. Comentário sádico, mas não pude evitar. Que descanse em paz, e que a mídia respeite nossa paciência e mude de assunto logo.
Não precisa ser psiquiatra para saber que quem tem a Síndrome de Peter Pan faz a opção pela infantilidade infinita. Alguém que tem um rancho com o nome de “Neverland” nem precisa de especialista para constatar o diagnóstico. Esta síndrome caracteriza-se por determinados comportamentos, imaturos em aspectos comportamentais, psicológicos, sexuais ou sociais. Rasgos de irresponsabilidade, rebeldia, cólera, narcisismo, dependência, negação ao envelhecimento. Precisa de mais alguma definição para constatar o óbvio?
Então MJ era pedófilo ou sofria de infatilismo? Segundo ele, gostava de viver ao redor de crianças por ter tido uma infância muito dura, ter iniciado uma carreira com poucos anos de idade. Além de ter “perdido” a infância, a dele foi marcada por xingamentos dos pais. Nossos pais são nossa base, se ela é mal estruturada acabamos sim sendo um espelho disso. Xingando ou não, o pai estava do lado, apoiou a carreira dele e provavelmente fez o que conseguiu.
O infantilismo não pode ser confundido com pedofilia. O primeiro não envolve sexo com crianças e sim o desejo de ser uma. Os infantilistas têm prazer em sentir-se como bebês, desprotegidos e frágeis, usam fraldas, chupetas e afins. Até onde eu saiba essas vestimentas ele não usava (em público), mas ter um parque de diversões em um rancho já é um bom indício.
Outra tristeza é não aceitar a própria aparência, tanto por negar a idade, como não ver beleza em si mesmo. Alguns tentam explicar as milhares de plásticas por um incidente de um comercial da Pepsi, onde MJ teve parte do couro cabeludo queimado. Não acredito ser só isso, a transformação que o levou a parecer um alienígena foi excessiva. O vitiligo não provoca mudança de cor e sim manchas (até gigantes) despigmentadas, mas nunca uniforme (outro mistério do alien). Daí é aceitável a comunidade negra (ou parte mínima dela) não aceitá-lo por ele ter negado a própria origem para ser melhor aceito na sociedade.
Como alguém que conhece a própria loucura optou por reprodução in vitro (provavelmente nunca teve interesse sexual por mulheres adultas), e não criou seus filhos, afinal, ele mesmo tinha noção que não seria uma boa influência e, como toda boa criança, fugiu da responsabilidade de tentar ser o pai que nunca teve.
Pedófilo, infantilista ou transformista? Ou será todas as opções? Realmente não sei. O que acredito, como Gil Vicente definiu bem na sua obra “O auto da barca do inferno” os loucos vão para o céu. E quando MJ chegou lá a primeira pergunta dele foi “Onde está o menino Jesus?”. Comentário sádico, mas não pude evitar. Que descanse em paz, e que a mídia respeite nossa paciência e mude de assunto logo.
domingo, 10 de maio de 2009
Caramel

Este filme é uma produção franco-libanesa de 2007 que começará a passar no Brasil daqui algumas semanas. Com a duração de 90 minutos, o tempo que eu considero ideal de um filme, também traz uma história de drama, mas com a pitada ideal de doçura. Cinco histórias de mulheres se entrelaçam no lugar comum que é o cabeleireiro chamado Si belle (Belíssima), cujo letreiro, não por acaso tem seu B pendente e o pronome Elle (ela) fica em evidência.
As cenas iniciais do açúcar se transformando em caramelo são belíssimas, bem como todo o painel de cores escolhidas para o filme. A música, onde o predomínio de cantigas libanesas é absoluto, também agrada os ouvidos, mesmo sendo inteligível sem as legendas. A bolinha de caramelo é utilizada como método de depilação (que no Brasil chamam de cera egípcia), provoca dor para se obter a beleza, bem como qualquer outra maneira de depilação.
No Si belle encontram-se uma mulher que é amante de um homem casado; uma lésbica; uma jovem libanesa prestes a casar e com o conflito de não ser mais virgem; uma senhora no início da velhice que parece não aceitar o fardo da idade e por fim Rose, uma idosa que mora com sua irmã Lillie (doente mental), que anula sua própria vida e possibilidades para não deixar a irmã sozinha.
No desenrolar das histórias a costura é tema da vida da jovem da libanesa e Rose. A primeira se sujeita a passar por um procedimento cirúrgico para obter de volta a tão importante virgindade, enquanto Rose vive de pequenos serviços de consertos de roupas. Rose, mesmo no final da sua vida, encontra em um dos seus clientes um possível namorado, mas o deixa esperando após um dia de tratamento de beleza no salão, por ter receio de abandonar Lillie sozinha.
As outras histórias, deixo para os que se interessarem em ver o filme. Com certeza vale a pena, principalmente se alguém quiser emprestado.
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