domingo, 28 de junho de 2009

Nasceu preto, ficou branco e virou cinza


Depois de tanta martelação da mídia, sinto-me capaz de escrever uma biografia completa do Michael Jackson. Desde o início de sua carreira aos cinco anos com os Jackons Five, a explosão do seu sucesso em 1982 com o disco Thriller, a decadência na década de 90, quando veio ao Brasil gravar um clipe junto com o Olodum no Pelourinho. Apesar de adorar biografia, confesso que nunca fui fã do MJ, suas músicas, sua revolução nos clipes dirigidos até pelo Spike Lee, sua dança comentada até pela Zélia Duncan, portanto, quanto a sua obra, nada posso comentar. Acredito que para a cultura pop foi sim um gênio. Mas como todo bom gênio, prefiro escrever da sua parte obscura, sua loucura, negação de si mesmo, o desejo de nunca se tornar adulto.

Não precisa ser psiquiatra para saber que quem tem a Síndrome de Peter Pan faz a opção pela infantilidade infinita. Alguém que tem um rancho com o nome de “Neverland” nem precisa de especialista para constatar o diagnóstico. Esta síndrome caracteriza-se por determinados comportamentos, imaturos em aspectos comportamentais, psicológicos, sexuais ou sociais. Rasgos de irresponsabilidade, rebeldia, cólera, narcisismo, dependência, negação ao envelhecimento. Precisa de mais alguma definição para constatar o óbvio?

Então MJ era pedófilo ou sofria de infatilismo? Segundo ele, gostava de viver ao redor de crianças por ter tido uma infância muito dura, ter iniciado uma carreira com poucos anos de idade. Além de ter “perdido” a infância, a dele foi marcada por xingamentos dos pais. Nossos pais são nossa base, se ela é mal estruturada acabamos sim sendo um espelho disso. Xingando ou não, o pai estava do lado, apoiou a carreira dele e provavelmente fez o que conseguiu.

O infantilismo não pode ser confundido com pedofilia. O primeiro não envolve sexo com crianças e sim o desejo de ser uma. Os infantilistas têm prazer em sentir-se como bebês, desprotegidos e frágeis, usam fraldas, chupetas e afins. Até onde eu saiba essas vestimentas ele não usava (em público), mas ter um parque de diversões em um rancho já é um bom indício.

Outra tristeza é não aceitar a própria aparência, tanto por negar a idade, como não ver beleza em si mesmo. Alguns tentam explicar as milhares de plásticas por um incidente de um comercial da Pepsi, onde MJ teve parte do couro cabeludo queimado. Não acredito ser só isso, a transformação que o levou a parecer um alienígena foi excessiva. O vitiligo não provoca mudança de cor e sim manchas (até gigantes) despigmentadas, mas nunca uniforme (outro mistério do alien). Daí é aceitável a comunidade negra (ou parte mínima dela) não aceitá-lo por ele ter negado a própria origem para ser melhor aceito na sociedade.

Como alguém que conhece a própria loucura optou por reprodução in vitro (provavelmente nunca teve interesse sexual por mulheres adultas), e não criou seus filhos, afinal, ele mesmo tinha noção que não seria uma boa influência e, como toda boa criança, fugiu da responsabilidade de tentar ser o pai que nunca teve.

Pedófilo, infantilista ou transformista? Ou será todas as opções? Realmente não sei. O que acredito, como Gil Vicente definiu bem na sua obra “O auto da barca do inferno” os loucos vão para o céu. E quando MJ chegou lá a primeira pergunta dele foi “Onde está o menino Jesus?”. Comentário sádico, mas não pude evitar. Que descanse em paz, e que a mídia respeite nossa paciência e mude de assunto logo.

domingo, 10 de maio de 2009

Caramel


Este filme é uma produção franco-libanesa de 2007 que começará a passar no Brasil daqui algumas semanas. Com a duração de 90 minutos, o tempo que eu considero ideal de um filme, também traz uma história de drama, mas com a pitada ideal de doçura. Cinco histórias de mulheres se entrelaçam no lugar comum que é o cabeleireiro chamado Si belle (Belíssima), cujo letreiro, não por acaso tem seu B pendente e o pronome Elle (ela) fica em evidência.


As cenas iniciais do açúcar se transformando em caramelo são belíssimas, bem como todo o painel de cores escolhidas para o filme. A música, onde o predomínio de cantigas libanesas é absoluto, também agrada os ouvidos, mesmo sendo inteligível sem as legendas. A bolinha de caramelo é utilizada como método de depilação (que no Brasil chamam de cera egípcia), provoca dor para se obter a beleza, bem como qualquer outra maneira de depilação.


No Si belle encontram-se uma mulher que é amante de um homem casado; uma lésbica; uma jovem libanesa prestes a casar e com o conflito de não ser mais virgem; uma senhora no início da velhice que parece não aceitar o fardo da idade e por fim Rose, uma idosa que mora com sua irmã Lillie (doente mental), que anula sua própria vida e possibilidades para não deixar a irmã sozinha.


No desenrolar das histórias a costura é tema da vida da jovem da libanesa e Rose. A primeira se sujeita a passar por um procedimento cirúrgico para obter de volta a tão importante virgindade, enquanto Rose vive de pequenos serviços de consertos de roupas. Rose, mesmo no final da sua vida, encontra em um dos seus clientes um possível namorado, mas o deixa esperando após um dia de tratamento de beleza no salão, por ter receio de abandonar Lillie sozinha.


As outras histórias, deixo para os que se interessarem em ver o filme. Com certeza vale a pena, principalmente se alguém quiser emprestado.

domingo, 8 de março de 2009

A mulher e a fé


Apesar de toda minha formação cristã católica da infância, e do afastamento um tanto coerente com a explosão de questionamentos da adolescência, ainda não nego minha religião. Ou melhor, que me deram base sólida de ética, comprometimento com os próximos e afins. Mas o “meu Deus” está a cada dia mais longe da Instituição da Igreja Católica.

Em pleno dia Internacional da Mulher não consigo não comentar o caso da criança estuprada pelo padrasto e sua repercussão na mídia. Então médicos salvarem a vida de uma criança devido a um ato de extrema violência, são excomungados, enquanto o estuprador é um mero “pecador” e continuará livre para freqüentar a igreja.

Onde está a ética nesse caso? Provavelmente junto com toda a anacronia dessa instituição digna de revolta, angústia, que nutre em seus fiéis o sentimento doentio da culpa e os mantém sob as rédeas do medo de um provável inferno. Tenho certeza, o inferno é aqui.

Perdoar um estuprador pedófilo é algo que a digníssima Igreja Católica já está acostumada, já que os casos de abusos de padres aos seus supostos ajudantes, coroinhas ou qual queres outras crianças que se aproximam, sempre são abafados, não vejo ninguém preso por isso. Deus abençoa o estupro?

Já sou veemente a favor do aborto, mas isso fica outro tópico (lógico que todas as medidas devem ser estudadas e não matar fetos indiscriminadamente). Mas o mais importante, é no corpo da mulher que ocorre a gravidez. O papel do pai é inegável. Mas quando você se vir em uma situação de perigo, em qual a primeira pessoa que você pensa? Tirando os casos de patologia, na sua mãe. A ligação não é só genética, é visceral, indescritível e nunca será entendida por um ser humano do gênero masculino, daí já considero que eles nem direito a questionar quem escolhe (mulheres adultas) por não se sentir capaz de ser mãe.

Freud, Young, Lacan todos concordavam que no inconsciente nossa procura por um lugar seguro está muito ligada ao útero, laço imaginário que permanece para o resto da vida.

Em suma, parabéns para as mães, para as mulheres executivas, as donas de casa, as filhas, as irmãs, as namoradas, esposas, amantes, e principalmente a todas que conseguem ser no mínimo dois ou três dos papéis supracitados. Parabéns a todas as mulheres, pois nós somos definitivamente o sexo forte. Nunca nenhum humano do gênero masculino será capaz de chegar aos nossos pés!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Citações #5

"A cultura está acima da diferença da condição social."

Confúcio

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Carmenzita - Bárbara Spigolon Loureiro

Como assumo no meu próprio perfil, escrever não é meu dom. A postagem de hoje é um texto da poeta da família, minha irmã Bárbara, o texto foi escrito para nosso pai em homenagem ao falecimento de nossa tia Carmen Sílvia.


"Carmenzita, a doce estrela

Era uma vez uma estrela, seu nome Carmenzita.

Carmenzita nasceu frágil e com um brilho diferente das demais estrelas do céu, talvez até imperceptível aos olhos de todos, mas guardava dentro si algo de muito bonito: vontade de brilhar sem precisar ser igual aos outros.

Viveu tentando brilhar, mas não à maneira que todas as estrelas pretendiam. Era um brilho próprio que a fazia diferente e desprotegida ao olhar alheio, mas vibrante e forte perante a vida na constelação.

O tempo foi passando e Carmenzita adoeceu, não brilhou o suficiente como a sua sociedade cósmica mandou. Porém a pequena estrela, até seus últimos dias, não desistiu do seu brilho que poucos conseguiam admirar e resistiu bravamente até seu último suspiro.

Hoje, segundo meu sonho me contou, Carmenzita é tão grande que chega ser a dona do céu. Durante a noite, brilha tanto que deixa os casais apaixonados, as estrelas cheias de inveja, o cosmos iluminado e cientistas de boca aberta, seria a estrela mais bonita comprovadamente.

Ninguém entende como uma estrela pode brilhar tanto, como ninguém entendia porque alguém tão sofrido queria tanto viver. Talvez não tenha explicação, quem sabe sejam os nossos valores que não nos permitem ver a felicidade diferente do conceito da mesma que temos enraizados.

Só sei que Carmenzita brilha, brilha, brilha e brilha e brilha e hoje é dona do céu e está muito, muito ,mas muito feliz.

Que Deus a abençoe!"

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Meus vite e seis anos


Hoje é meu aniversário, mas ao invés de ter vontade de celebrar a vida, sinto-me abatida por uma tristeza pouco racional. Sei que envelhecemos diariamente, os anos são construídos por segundos, minutos, horas, dias, semanas; no entanto, só celebramos a cada doze meses nossa existência.

Sinto-me como no Reveillon, uma mera mudança de ano, um dia como qualquer outro. Ao mesmo tempo, paramos para pensar como foi o ano anterior, quais foram as conquistas, os fracassos. O que eu poderia ter feito melhor? Quais motivos de comemoração?

Sempre me cobrei demais. Hoje me lembro de uma frase de um padre que passou pela segunda temporada do Lost (que antes de ser um padre fora participante de facções como o PCC de um País da África). Próximo da morte, ele tem a chance de se confessar ao espírito do seu irmão, também padre (este com uma história ilibada). E ele simplesmente diz, mais ou menos assim: não tenho do que pedir perdão, cometi erros que me perseguem diariamente, mas eu não escolhi minha vida, ela que me escolheu e estou tranqüilo por ter feito o melhor que eu pude frente ao que passei.

Lembrando de filmes, o Duas Vidas, que postei um comentário semanas atrás me tocou porque se eu me encontrasse hoje com meu eu de oito anos de idade, o que eu acharia de mim? Feliz ou infelizmente meu conceito de sucesso e fracasso mudou. Ao mesmo tempo lembro-me do Curioso caso de Benjamin Button, sinto que nasci velha, cheia de manias, medos e regras. À medida que os anos vão passando, minha alma fica mais jovem, vejo a vida de uma maneira mais simples, exijo bastante de mim, mas não a ponto mais de me crucificar.

Esse é um comentário da minha ainda breve vida. Que venha o que tiver que vir, só peço força para agüentar o futuro.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Citações #4

"Exige muito de ti e espera pouco dos outros. Assim, evitarás muitos aborrecimentos."

Confúcio
China Antiga [551AC/479AC]